O Real Madrid confirmou nesta terça-feira (28) o maior faturamento operacional já registrado por uma organização esportiva na história: 1,221 bilhão de euros (cerca de US$ 1,4 bilhão) na temporada 2025-26. O número foi aprovado pela diretoria do clube em reunião nesta terça e representa um crescimento de 3,1% em relação à temporada anterior, quando o clube já havia se tornado a primeira equipe do mundo a ultrapassar a marca de 1 bilhão de euros em receita.
Com esse resultado, o Real Madrid supera oficialmente o recorde que pertencia aos Dallas Cowboys, da NFL, que haviam reportado US$ 1,23 bilhão em receita em 2024 — até então, a maior cifra já registrada por uma franquia esportiva em qualquer modalidade.
De onde vem o dinheiro
Segundo o próprio clube, o crescimento da receita foi puxado principalmente por dois fatores: um salto de 11% no faturamento gerado pelo Santiago Bernabéu e um aumento de 6% na receita de marketing, impulsionado pela renovação de contratos de patrocínio e pela chegada de novos parceiros comerciais.
Vale destacar que esse valor recorde não inclui receitas com transferências de jogadores — área em que o clube arrecadou outros 40 milhões de euros, ainda que tenha gasto cerca de 170 milhões de euros em contratações no mesmo período.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também atingiu patamar inédito, chegando a 287,4 milhões de euros, reforçando que o crescimento não veio só de faturamento bruto, mas também de eficiência operacional.
Um modelo de negócio construído em torno do estádio
Uma parte relevante desse salto de receita tem relação direta com a reforma do Santiago Bernabéu, avaliada em um investimento acumulado de 1,407 bilhão de euros e hoje praticamente concluída. Segundo dados divulgados pelo próprio clube, desde a temporada 2018-19 a receita total do Real Madrid cresceu 61%, e 93% desse crescimento veio de fontes administradas diretamente pelo clube, com destaque para a receita do estádio, que mais do que dobrou nesse período.
Somente na última temporada, o clube investiu 192 milhões de euros em infraestrutura, plataformas tecnológicas e no elenco esportivo. Desde 2018-19, os gastos com o elenco cresceram 166 milhões de euros, um avanço de 37%.
Lucro pelo 26º ano consecutivo
Além do recorde de receita, o Real Madrid encerrou a temporada com lucro líquido de 26,3 milhões de euros, um avanço de 8% em relação ao ano anterior. Esse resultado marca o 26º ano consecutivo em que o clube fecha as contas no azul, uma sequência iniciada em 2000.
O clube reforça, em comunicado, que se trata de uma instituição pertencente aos próprios sócios: não distribui lucros nem recebe aportes externos de capital, reinvestindo integralmente os resultados em infraestrutura e no time profissional. O patrimônio líquido do clube está estimado em 624 milhões de euros, com uma dívida líquida de apenas 9 milhões de euros, números que reforçam a saúde financeira da instituição.
Um recorde sem taças na temporada
O detalhe que chama atenção nesse anúncio é que o Real Madrid bateu esse recorde financeiro sem conquistar nenhum título relevante na temporada 2025-26, um contraste com o ciclo anterior, quando o clube havia superado a marca de 1 bilhão de euros impulsionado, entre outros fatores, pela conquista da Champions League. Isso demonstra que o motor comercial do clube, estádio, marketing e patrocínio, já opera de forma robusta o suficiente para gerar recordes financeiros independentemente do desempenho esportivo direto.
A temporada também foi marcada por reformulações na comissão técnica e no elenco, com nomes como Trent Alexander-Arnold, Dean Huijsen e Franco Mastantuono reforçando o time, além do retorno de José Mourinho ao comando técnico, num contexto de reconstrução esportiva paralelo ao boom financeiro.
O Real Madrid no topo do esporte mundial
Com esse resultado, o Real Madrid amplia sua posição como o clube mais valioso do futebol mundial, avaliado, segundo a Forbes, em US$ 6,75 bilhões, à frente do Manchester United (US$ 6,6 bilhões). O feito também reposiciona o clube espanhol na disputa mais ampla do esporte mundial, superando ligas e franquias historicamente dominantes em receita, como o próprio futebol americano.
O anúncio consolida uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos anos: enquanto o desempenho esportivo do Real Madrid oscila entre ciclos de reconstrução e dominância, sua engrenagem financeira segue em trajetória ascendente ano após ano — tornando o clube uma referência de gestão dentro e fora dos gramados.
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