Na terça-feira (28), o presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou que a entidade pretende criar uma empresa para administrar as principais competições organizadas pela instituição, como as Copas do Mundo (masculina e feminina) e a Copa do Mundo de Clubes.
A FIFA Forward Enterprise (FFE), nome proposto para a empresa, teria valor estimado em US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões) e seria responsável pelas operações comerciais das competições da FIFA. As informações foram divulgadas inicialmente pelos jornais The Times e Financial Times.
Mas a maior polêmica desse assunto é a venda de participações para investidores privados. A FIFA prevê arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) com a negociação de participações minoritárias, mantendo o controle majoritário da nova empresa. Caso o plano seja concretizado, a entidade afirma que ampliará os repasses financeiros destinados às federações nacionais filiadas.
Ainda na terça-feira, a UEFA, entidade máxima do futebol europeu, divulgou uma nota oficial em que se posicionou contra a criação da empresa e a participação de investidores privados. Confira a nota:
Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria. Todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte.
A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à FIFA vendê-lo.
Nesta quarta-feira (29), a UEFA divulgou uma nova nota em suas redes sociais, reafirmando seu posicionamento contrário à criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) e criticando o prazo estabelecido pela FIFA para que as associações manifestem apoio ao projeto. Confira a nota:
Hoje tomamos conhecimento de que a FIFA estabeleceu um prazo para que as associações apoiem suas propostas ou percam a oferta de pagamento único. Isso diz tudo o que você precisa saber sobre esse plano.
Mas, após conversarmos com diversas partes interessadas de todo o futebol, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao projeto da FIFA. A FIFA não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si mesma e aos seus aliados. Nós podemos desenvolver o futebol da maneira correta. Chegou a hora de priorizar as associações, os clubes, as ligas, os jogadores e os torcedores.
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